No Funchal é fundado [20 de Setembro de 1910] um Clube que ainda hoje se dá pelo nome de Club Sport Marítimo. Só 15 dias depois acontecerá a implantação da República. Mas as duas equipas de futebol que estão na origem deste Marítimo, já ostentam faixas com as cores do pavilhão republicano – o vermelho e o verde. Colocadas sobre as camisolas brancas que ambas as formações usam, essas faixas não são apenas uma forma de distinção entre os jogadores. Simbolizam, antes de mais, as aspirações da classe dos marítimos pelo advento do novo regime. E a crença que da sua instauração resultará Progresso e Bem-Estar.

Este clube, como todos os outros que se formarão até final da segunda década do século XX, também fundou as suas raízes nas movimentações desportivas que os ingleses – residentes e turistas – vinham semeando na Ilha desde o último quartel do século XIX. Mas a história da constituição do Marítimo não se faz na dependência dos ingleses ou com a sua colaboração. Pelo contrário, inscreve-se na afirmação independente da classe marítima. Como se fosse um grito de liberdade, um corte de amarras. Uma bandeira de orgulho madeirense.

Confirmando as potencialidades evidenciadas pelas suas equipas ao longo dos tempos, o Marítimo vai alcançar, na época 1925/26, aquele que ainda hoje é considerado o maior feito desportivo alguma vez interpretado por uma equipa madeirense – a conquista do título de campeão de Portugal de futebol. Campeão da Madeira pela quinta vez consecutiva, o clube caminha para a conquista do título máximo do futebol português com confiança. Essa confiança baseava-se na certeza de que a sua equipa de Honra seria capaz de fazer frente a qualquer formação continental

Dentro dos campos em que se jogou essa conquista – do apuramento do campeão da Madeira ao título de campeão nacional – o Marítimo sofreu para vencer.

O campeão de Portugal, das Ilhas e da Madeira, vividos que estavam os seus primeiros 40 anos, interpreta uma das mais fantásticas digressões alguma vez realizada por um clube português. Estamos em 1950. O pretexto é levar o abraço da terra-mãe aos colonos madeirenses que se tinham espalhado pelas terras africanas de Angola e Moçambique. Mas se esse era o pretexto, a razão de fundo inscrevia-se na tradicional apetência do Marítimo para ultrapassar os limites da insularidade e demonstrar, pelo seu futebol, que aqui vivia gente capaz das maiores proezas, a tanto lhe fosse dada oportunidade. Serão 70 dias fora da Ilha, fazendo matar a saudade dos que tinham partido em busca de melhor vida. Mas nem por isso se baixará a bandeira verde-rubra. Em 13 jogos, alcançam-se 12 vitórias e apenas por uma vez os madeirenses conhecerão a derrota. É verdade que nem todos os opositores tinham atingido um nível futebolístico apreciável. Mas também é verdade que, quando em confronto com o Marítimo, são derrotadas formações que anteriormente se tinham imposto a outros clubes da parte continental do país. Na chegada ao Funchal, a 4 de Novembro, a cidade vai viver momentos idênticos àqueles de quando o Marítimo conquistou o título de Campeão de Portugal. A cidade enche-se de gente e alegria, para glorificar o triunfo africano. E canta-se, pela primeira vez, a marcha mais conhecida do clube: ‘Lá vêm, lá vêm, os nossos ‘maravilhas’, os ‘endiabrados’, campeões das Ilhas.

A digressão africana consolidou a ideia de que o espaço da(s) Ilha(s) era ‘pequeno’ para o Marítimo. Essa ideia estava latente desde os tempos da fundação. Sobreviveu aos momentos difíceis. Ganhou alento nos períodos de glória. De fora do campeonato ‘nacional’, o maior clube madeirense sabe que a alternativa ‘Taça de Portugal’ não constitui uma resposta consistente para o progresso desejado.

O Marítimo enceta uma luta decidida para conquistar um espaço definitivo em provas regulares do futebol português, assumindo-se como colectividade de dimensão nacional. Do centralismo das entidades responsáveis a nível nacional às atitudes dos rivais madeirenses, passando pelas posições dúbias de instituições desportivas diversas e pelas dificuldades materiais do projecto, os verde-rubros debatem-se com imensos obstáculos. O caminho era, contudo, irreversível. Para que assim fosse, contribuíram, além da vontade do Marítimo, condições ‘alheias’ à realidade desportiva, de que são melhores exemplos a construção e funcionamento sempre em crescendo do Aeroporto do Funchal, o consequente aumento da actividade turística, o acréscimo nas remessas dos emigrantes, bem como uma situação política nacional que se ia caracterizando pela ‘abertura’ do regime.

Para que ficasse garantido no plano regulamentar – no congresso da Federação – e dentro de campo – por via da conquista do título de campeão da Madeira da época 1972/73 – o direito à disputa do acesso à II divisão nacional, o Marítimo enfrentou a oposição dos adversários madeirenses potencialmente interessados em alcançar idêntico patamar. Dessa oposição resultarão contratempos e dificuldades com que o clube contava, mas cujas consequências tiveram o condão de tornar o processo ainda mais complexo. O Marítimo adoptou uma posição cautelosa junto das entidades desportivas regionais e nacionais, marcada essencialmente pela permanente disposição para negociar o melhor acordo possível. Olhando além das razões que lhe assistiam, o clube soube entender que se impunha laborar nos ténues limites tolerados pelos detentores da capacidade final de decisão. O espaço de manobra era curto. Em contraponto, o crescente entusiasmo da massa associativa pela solução que se aproximava, bem como as potencialidades que esse entusiasmo deixava antever, constituirão um forte alento para que não se esmoreça perante sucessivas barreiras e armadilhas. Aponte-se, por fim, as dificuldades advindas de ser ‘proibido’ falhar. A posição final a ocupar (III ou II divisão) dependia da prestação de uma equipa que está ‘condenada’ a vencer. Esta era uma condicionante nova – já não se tratava de replicar da melhor maneira às turmas continentais, sem qualquer consequência que não fosse o resultado do jogo em si mesmo. Agora era mais que isso: era imperioso não falhar. A entrada na II divisão fica comprometida com os resultados obtidos. Será o alargamento deste escalão, decidida por razões de todo alheias aos interesses do Marítimo, que colocará o clube nesse campeonato, a partir da época 1973/74.

Quatro épocas após ter alcançado a integração num campeonato regular nacional – o da II divisão –, o Marítimo realiza o sonho de voltar ao convívio dos grandes clubes nacionais. Fala-se em regresso com propriedade – dos primeiros passos da sua história a este momento, o clube sempre teve fortes ligações com as maiores e melhores equipas nacionais, demonstrando, na maior parte dos confrontos com elas, que apenas as limitações impostas pela insularidade tinham impedido um desenvolvimento que mantivesse o futebol do Marítimo ao nível do melhor que se fez em Portugal até então.

A época de 1976/77 vê ser cumprido esse desígnio de transformar, definitivamente, o Marítimo em colectividade de primeira dimensão nacional. A 15 de Maio de 1977, o Estádio dos Barreiros regista a maior enchente de sempre. O adversário tem de ser vencido. Chama-se Olhanense, o velho opositor que na década de vinte afastou, por duas vezes, o Marítimo da final do campeonato de Portugal. Mas agora os tempos são outros… A vitória acontece com naturalidade. E, uma vez mais, tal qual sempre acontecera nos momentos das grandes vitórias, o clube e todas as gentes da terra que o viu nascer, fundiram-se num só grito de alegria – que era também a esperança de novas e maiores glórias.

O Marítimo tombará, por duas vezes (1980/81 e 1982/83) na II divisão. Foram duras, essas desilusões, e marcaram profundamente a vida da colectividade. Na época 1985/86, o ‘maior das ilhas’ regressará ao convívio dos grandes e colocará um ponto final na instabilidade anterior.

Daí para cá, 2014, a presença entre os ‘grandes’ do futebol português tem sido uma constante. E cada vez mais firme. Pela primeira vez na História do Futebol Português uma equipa insular participa numa competição europeia. A estreia dá-se a 14 de Setembro de 1994, na Bélgica, frente ao Antuérpia. Até 2013, foram oito as participações europeias, com a realização de 34 jogos.

Duas presenças na final da Taça de Portugal (10/06/1995 frente ao Sporting C.P., 0-2, e 10/06/2001 perante o F. C. Porto, 0-2), são sinais fortes, também, da História do ‘Maior das Ilhas’ e do futebol português – nunca outra equipa fora do espaço continental conseguiu tal feito. O mesmo se escreve relativamente à final da Taça da Liga! O C. S. Marítimo foi finalista da edição 2014/2015, após ter eliminado, de forma brilhante, o F.C. Porto (2-1). No jogo decisivo, disputado no Estádio Municipal de Coimbra, tendo atuado durante quase toda a segunda parte com menos uma unidade, os verde-rubros foram de uma entrega sensacional, merecendo mais que a derrota, cifrada em 2-1 (golo de João Diogo).

A constituição da Marítimo da Madeira - SAD (Sociedade Anónima Desportiva), ocorrida em Setembro de 1999, constitui um momento de extrema importância e elevado significado na história recente do Club Sport Marítimo.

No âmbito desportivo, a acção do Club Sport Marítimo estende-se a um campo muito mais vasto que o futebol. As chamadas modalidades amadoras também contribuem, e muito para o engrandecimento da colectividade. O badminton do Marítimo, por exemplo, foi a primeira equipa madeirense a participar numa Taça dos Campeões Europeus. Aconteceu em 1988. Mas outros êxitos ficaram assinalados com as cores verde-rubras. Como a presença em Jogos Olímpicos de atletas do C. S. Marítimo. Medalhado nos Jogos Paralímpicos, Rodolfo Reis. Um campeão europeu de Muay Thai, Diogo Abrantes, em 2014. Vários títulos nacionais em diversas modalidades.

Num plano de crescimento sempre sustentado, o C. S. Marítimo também cuidou de enriquecer o património no que às infra-estruturas diz respeito. O Complexo Desportivo em Santo António é disso exemplo, onde funciona o Colégio do Marítimo, inaugurado a 18 de Abril de 2006.

Fiel ao seu papel de interventor na sociedade, o C. S. Marítimo tem desenvolvido várias manifestações de solidariedade, nomeadamente por intermédio da Fundação Marítimo Centenário. A 8 de Dezembro de 2013 realizou-se uma Marcha Solidária que levou duas mil mulheres do Complexo Desportivo em Santo António ao Estádio do Marítimo, nos Barreiros.

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